Ensino Superior

Leitura entre adolescentes atinge pior nível do século

ResumoA leitura entre adolescentes de 15 anos atingiu o pior nível do século, segundo avaliação global da OCDE com 760 mil jovens. As notas caíram em leitura, matemática e ciências, e o relatório associa o desempenho ao tempo de tela e à leitura apressada.

Avaliação global da OCDE com 760 mil jovens de 15 anos aponta o pior nível de leitura deste século. Notas caíram em leitura, matemática e ciências, e o relatório liga o resultado ao tempo de tela e à leitura apressada.

Marcelo Iglésias
por Marcelo IglésiasColunista de ensino de matemática e ciências · 11 de setembro de 2026
3 min de leitura
Leitura entre adolescentes atinge pior nível do século

Adolescentes mais acostumados a smartphones do que a Shakespeare estão apresentando os piores índices de leitura já registrados neste século, segundo avaliação global de alunos. O teste de 2025 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aplicado a 760 mil jovens de 15 anos em 91 países, mostrou que as notas em leitura, matemática e ciências atingiram os níveis mais baixos desde 2000, quando os dados começaram a ser coletados.

Em média, os alunos apresentavam um nível de leitura que, no passado, era esperado de estudantes um ano mais novos, conforme a última edição do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), divulgada nesta terça-feira. A pontuação máxima de 501 em leitura, registrada em 2012, caiu para 466 no ano passado.

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As notas em leitura caíram mais acentuadamente entre os alunos de origens mais abastadas, segundo o estudo. Prejudicadas pela queda nos padrões de leitura, as habilidades médias dos adolescentes em ciências e matemática também atingiram seu nível mais baixo neste século. A pontuação em ciências caiu de 506, o pico de 2009, para 486. A de matemática recuou de 502 para 469 no mesmo período.

"O aumento do tempo gasto diante de telas e a diminuição da leitura por prazer têm andado de mãos dadas com resultados mais fracos", afirmou o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, em entrevista coletiva. "Também estamos observando uma leitura mais apressada, com os alunos percorrendo um texto às pressas e dando respostas erradas rapidamente."

O Leste Asiático foi a região com melhor desempenho. Cidades chinesas que participaram do teste, além do Japão, da Coreia, de Singapura e de Taiwan, apresentaram os melhores sistemas educacionais. Reino Unido e Estônia foram os únicos países fora da região a figurar entre os dez primeiros em leitura, matemática e ciências.

Telas, chatbots e o efeito na rotina de estudos

O relatório não chegou a endossar a proibição de smartphones nas escolas. Afirmou, porém, que a distração digital está associada a notas mais baixas em ciências em 59 dos 82 sistemas educacionais estudados, e mais de um em cada quatro alunos dizem que os dispositivos distraem os colegas nas aulas de ciências.

A OCDE informou que os alunos relataram passar, em média, 3,4 horas por dia útil em dispositivos digitais para lazer nos países-membros e mais três horas por dia útil na sala de aula e em casa para fins de aprendizagem. Os dispositivos podem melhorar a aprendizagem, mas apenas até certo ponto, disse Cormann. Acima de cinco horas diárias, os resultados começam a cair.

O estudo também constatou que quase metade dos alunos usa chatbots de inteligência artificial regularmente para aprender. Quem os utiliza para redigir redações, resumir textos e pesquisar temas costuma obter notas cerca de 20 pontos mais baixas em ciências, o equivalente a um ano de aprendizado.

Para quem acompanha a sala de aula, o dado que interessa não é o ranking, e sim o tipo de leitura que o teste captura. como interpretar gráficos e tabelas em avaliações externas

Marcelo Iglésias

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