Ensino Superior

Brasil melhora desempenho escolar no longo prazo, mas patamar é baixo

ResumoO Brasil melhorou seu desempenho no Pisa 2025 e reduziu a distância para a média da OCDE, mas parte do avanço decorre da queda de outros países. Em matemática, o atraso equivale a 4,6 anos escolares e apenas 28% dos estudantes atingem o nível mínimo de proficiência.

Brasil reduz distância para a média da OCDE no Pisa 2025, mas parte do avanço vem da queda dos outros países. Em matemática, atraso equivale a 4,6 anos escolares, e só 28% atingem o nível mínimo.

Dione Salgado
por Dione SalgadoEspecialista em saúde docente e bem-estar · 10 de setembro de 2026
3 min de leitura
Brasil melhora desempenho escolar no longo prazo, mas patamar é baixo

O Brasil reduziu a distância que separa seus estudantes da média dos alunos de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no Pisa 2025. A aproximação, porém, não significa avanço equivalente em aprendizagem: especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que o movimento ocorreu sobretudo porque o desempenho brasileiro ficou relativamente estável enquanto a média da organização recuou.

Em números, o país segue abaixo da média da OCDE nas três disciplinas. Foram 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. A média de 23 países da OCDE ficou em 466, 469 e 486, nessa mesma ordem. Cada 20 pontos equivalem a um ano escolar: em matemática, o Brasil está cerca de 4,6 anos atrás. Apenas 28% dos estudantes atingiram pelo menos o nível 2 em matemática, o mínimo considerado.

"O país tem mantido seus resultados relativamente estáveis, enquanto a média da OCDE recuou. Portanto, embora tenha evitado uma piora, o desafio brasileiro continua sendo promover ganhos consistentes de aprendizagem", diz Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann.

Rodrigo Fulgêncio, 1º vice-presidente da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe), reforça a leitura. Segundo ele, o Brasil melhorou no longo prazo, sobretudo em ciências e leitura, mas parte importante da aproximação veio da queda da média da OCDE, especialmente em matemática.

O Pisa é o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, coordenado pela OCDE, entidade que reúne 38 países. A prova é aplicada a cada três anos e avalia conhecimentos de estudantes na faixa de 15 anos em matemática, leitura e ciências. Em 2025, participaram 760 mil estudantes de 91 países. O Brasil teve 30.140 participantes, sendo 72,4% de escolas estaduais e 96,9% em áreas urbanas.

A distância já foi maior. Entre 2006 e 2025, a diferença em relação à média da OCDE caiu de 102 para 58 pontos em leitura, de 131 para 92 em matemática e de 113 para 77 em ciências. O problema é o patamar. "Seguimos com uma parcela muito elevada de estudantes abaixo dos níveis mínimos de proficiência, especialmente em matemática e leitura", afirma Proto, que cita também os efeitos da pandemia sobre a trajetória escolar dessa geração.

Jalman Lima, mestre em matemática e gerente da CASIO Educação, lembra que praticamente não há estudantes brasileiros nos níveis mais altos de proficiência. "É um desafio nas duas extremidades", resume. Fulgêncio aponta ainda a desigualdade socioeconômica: em ciências, a diferença entre os 25% mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis chega a 96 pontos, quase cinco vezes o aprendizado médio de um ano escolar.

O Pisa 2025 também mediu o uso de celulares. Entre os estudantes brasileiros avaliados, 81% frequentavam escolas com restrições aos dispositivos, contra 37% em 2022. A média da OCDE é de 49%. Segundo o MEC, o percentual está alinhado a evidências de que regras desse tipo reduzem relatos de distração digital. A chamada "leitura apressada" quase dobrou entre 2018 e 2025, e 46% dos estudantes já usam Inteligência Artificial semanalmente ou mais para estudar.

como ajudar o estudante a ler com profundidade

Para Fulgêncio, o alerta central é outro. Ampliar o acesso à informação e à tecnologia não garantiu maior aprendizagem. O desafio, diz, é ajudar o estudante a sustentar a atenção, ler com profundidade e usar a tecnologia para ampliar, e não substituir, o pensamento.

Dione Salgado

Dione Salgado

Especialista em saúde docente e bem-estar

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