# Ensino integral acelera aprendizado de vulneráveis, diz estudo

> O estudo do Ideb 2025 demonstra que o ensino integral acelera o aprendizado de alunos vulneráveis, com vantagem de 0,6 ponto sobre escolas parciais do mesmo nível socioeconômico. A diferença positiva no desempenho confirma o impacto da jornada ampliada na redução de desigualdades educacionais. Dados oficiais do índice sustentam a conclusão.

*Revista do Professor · Ensino Superior · 20 de agosto de 2026 · Dione Salgado*

Dados do Ideb 2025 mostram que o ensino integral acelera o aprendizado de alunos vulneráveis, com vantagem de 0,6 ponto sobre escolas parciais do mesmo nível socioeconômico.

O ensino integral acelera o aprendizado de estudantes vulneráveis, aponta análise inédita do Instituto Sonho Grande e Instituto Natura com base no Ideb 2025. Entre as 100 escolas de ensino médio de menor nível socioeconômico com melhor desempenho, 77 funcionam em formato 100% integral.

A escola de tempo integral tem performance superior em todos os níveis socioeconômicos. O maior ganho chega aos mais vulneráveis: as 1.166 escolas integrais com menor nível socioeconômico (níveis II e III) têm vantagem de 0,6 ponto no Ideb frente às 1.713 escolas parciais do mesmo nível, um desempenho 15% maior. Entre as mais vulneráveis, o impacto é quase 70% superior ao registrado nas unidades de contextos menos vulneráveis.

Os dados do SAEB 2025 reforçam o quadro. Em matemática, alunos de escolas integrais de baixo nível socioeconômico obtiveram 23 pontos a mais que os do parcial, o que equivale a 4,6 anos a mais de aprendizado. Em língua portuguesa, o ganho foi de 21 pontos, uma aceleração de 3,2 anos de escolarização.

Maria Slemenson, superintendente de Políticas Educacionais do Instituto Natura, explica que o tempo estendido permite recompor aprendizagens defasadas. "Isso só é possível porque o tempo extra é usado para dois movimentos: avançar no conteúdo da série e recompor o que ficou para trás", afirma. Nas escolas parciais, essa intervenção quase nunca cabe na grade.

O recorte racial também mostra vantagem. Cerca de 74% das escolas 100% integrais atendem maioria de estudantes pretos, pardos ou indígenas (PPIs). Onde esse perfil supera 80% das matrículas, a nota média do Ideb é 4,9 no integral, contra 4,3 no parcial.

Para o Instituto Natura, o sucesso não vem só do aumento de horas, mas do uso desse tempo. O modelo se apoia em projeto de vida, acolhimento socioemocional, aprendizado na prática e orientação de estudos. Em 2025, eram 4.235 escolas integrais (21% do total), com cerca de 214 mil matrículas urbanas avaliadas. O parcial ainda concentra mais de 1 milhão de estudantes.

A maior barreira não é financeira, mas de gestão. O Piauí é referência: único estado com 100% das escolas estaduais de ensino médio em tempo integral, transformação construída entre 2022 e 2025.

Análise: os dados indicam que o tempo integral, bem implementado, pode reduzir desigualdades estruturais. Ainda assim, o estudo não avalia custos ou condições de cada rede, e o sucesso depende de prioridade política sustentada.

---

Fonte (canonical): https://www.revistadoprofessor.com.br/ensino-superior/ensino-integral-acelera-aprendizado-vulneraveis/
