Ensino Superior

Ensino integral acelera aprendizado de vulneráveis, aponta estudo

ResumoO estudo do Instituto Natura e Instituto Sonho Grande, com base no Ideb 2025, demonstra que 77 das 100 escolas de ensino médio de menor nível socioeconômico com melhor desempenho são 100% integrais. O modelo integral acelera o aprendizado de alunos vulneráveis, gerando ganho de 0,6 ponto no Ideb.

Dados do Ideb 2025 revelam que 77 das 100 escolas de ensino médio de menor nível socioeconômico com melhor desempenho são 100% integrais. Estudo do Instituto Natura e Instituto Sonho Grande aponta ganho de 0,6 ponto no Ideb para vulneráveis.

Sônia Maria Resende
por Sônia Maria ResendeColunista de política educacional · 25 de agosto de 2026
2 min de leitura
Ensino integral acelera aprendizado de vulneráveis, aponta estudo

O ensino médio em tempo integral acelera o aprendizado de estudantes vulneráveis, aponta estudo do Instituto Natura e do Instituto Sonho Grande com base no Ideb 2025. Entre as 100 escolas de ensino médio de menor nível socioeconômico com melhor desempenho, 77 funcionam em formato 100% integral. A análise cruza desempenho escolar com o Indicador de Nível Socioeconômico (INSE) e mostra vantagem do integral em todos os níveis.

As 1.166 escolas 100% integrais com menor nível socioeconômico (níveis II e III) têm vantagem de 0,6 ponto no Ideb em relação às 1.713 escolas parciais do mesmo nível, um desempenho 15% maior. Entre as mais vulneráveis, o impacto é quase 70% superior ao registrado em contextos menos vulneráveis.

No SAEB 2025, alunos de escolas integrais de baixo nível socioeconômico obtiveram 23 pontos a mais em matemática que os do parcial, o que equivale a 4,6 anos a mais de aprendizado. Em língua portuguesa, o ganho foi de 21 pontos, ou 3,2 anos de escolarização adicional.

A superintendente de Políticas Educacionais do Instituto Natura, Maria Slemenson, afirma que o tempo extra permite recompor aprendizagens defasadas. "Isso só é possível porque o tempo extra é usado para dois movimentos que, em uma escola parcial, competem pelo mesmo período curto: avançar no conteúdo da série e, ao mesmo tempo, recompor o que ficou para trás", disse.

O estudo também revela efeito racial: cerca de 74% das escolas 100% integrais atendem maioria de estudantes pretos, pardos ou indígenas (PPIs). Onde esses estudantes são mais de 80% das matrículas, a nota média do Ideb é 4,9 no integral, contra 4,3 no parcial. "O tempo integral tem um efeito equalizador racial, além do socioeconômico", celebra Slemenson.

Em 2025, as escolas 100% integrais somam 4.235 unidades (21% do total), com cerca de 214 mil matrículas urbanas avaliadas. O modelo parcial ainda concentra mais de 1 milhão de estudantes. Para o Instituto Natura, a maior barreira não é financeira, mas de gestão governamental sustentada. O Piauí é referência: único estado com 100% das escolas estaduais de ensino médio em tempo integral, universalizado entre 2022 e 2025.

O eixo pedagógico do integral se sustenta em pilares como projeto de vida, acolhimento socioemocional, aprendizado na prática e tutoria. Para Slemenson, alunos de baixa renda encontram na escola integral o suporte que muitas vezes não têm em casa. "Para o aluno de baixa renda, que muitas vezes não tem em casa o suporte, o acompanhamento ou a segurança que passam a existir dentro da escola de tempo integral, esse modelo pesa ainda mais", conclui.

Sônia Maria Resende

Sônia Maria Resende

Colunista de política educacional

Lê BNCC, financiamento e reforma pelo impacto na escola da ponta. Traduz política para quem vive a sala de aula.

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