# Inclusão digital crítica: educadora defende IA com pensamento crítico

> Daniela Costa, consultora da Unesco, defende inclusão digital crítica e significativa, na qual a entrega de tecnologia deve vir acompanhada do desenvolvimento de pensamento crítico sobre inteligência artificial. Dados do Cetic.br revelam desafios estruturais no acesso e uso de ferramentas digitais no Brasil. A educadora propõe formação para que estudantes e professores avaliem informações, identifiquem vieses e usem IA de forma autônoma e responsável.

*Revista do Professor · Educação Infantil · 20 de agosto de 2026 · Heitor Vasconcellos*

Na era da IA, entregar tecnologia não basta: educadora Daniela Costa, consultora da Unesco, defende inclusão digital crítica e significativa. Dados do Cetic.br mostram desafios.

Na era da inteligência artificial (IA), o acesso à tecnologia precisa vir acompanhado de pensamento crítico. A avaliação é da educadora Daniela Costa, consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o Brasil. Para ela, a inclusão digital deve ser "significativa e crítica", e não apenas entregar aparelhos nas mãos de estudantes e professores.

"Não dá mais para pensar só em entregar as tecnologias nas escolas, a gente precisa pensar em objetivos, motivos, riscos, oportunidades, o que fazer com as tecnologias e como educar os alunos para um uso mais crítico", defendeu a especialista, que também coordena a pesquisa TIC Educação, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

Daniela Costa participou do 4º Encontro de Educadores do Século XXI, realizado nesta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro, organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). No evento, apresentou dados que refletem avanços e preocupações. Na China, gravações de aulas de alta qualidade distribuídas a 100 milhões de estudantes rurais melhoraram os resultados em 32% e reduziram a desigualdade salarial entre áreas urbanas e rurais em 38%. Por outro lado, a "simples proximidade" de um celular distraiu estudantes e prejudicou a aprendizagem em 14 países.

A educadora citou a Lei Federal 15.100, de janeiro de 2025, que proíbe o uso de celular durante a aula, recreio ou intervalos. Dados do Cetic.br mostram que, no início de 2026, 51% das escolas afirmam que os alunos não podem levar o aparelho. No ensino médio, esse percentual cai para 31%. "O celular tem que ficar em bolso, acessórios ou em locais da escola", explicou.

Sobre pesquisas escolares, vídeos de plataformas como YouTube e TikTok são usados por 89% dos estudantes do ensino médio. Sites de busca como Google vêm em seguida (88%), depois blogs e Wikipédia (72%), plataformas de IA (70%) e livros digitais (65%). Apenas um terço dos alunos afirma ter sido orientado sobre erros das IAs.

Daniela também destacou a queda na formação continuada de professores: em 2021, 65% dos docentes declararam participação; em 2024, eram 54%. "É como se, durante a pandemia, precisávamos falar sobre isso. Depois, não precisamos mais", criticou. Para ela, a sociedade precisa se comprometer com o professor. "Não existe uma sociedade sem escolas, não existe uma sociedade sem professores", concluiu.

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Fonte (canonical): https://www.revistadoprofessor.com.br/educacao-infantil/era-ia-inclusao-digital-deve-ser-critica-defende-educadora/
