Educação Infantil

7 atividades para trabalhar empatia com crianças desde cedo

ResumoO artigo "7 atividades para trabalhar empatia com crianças desde cedo" apresenta sete práticas lúdicas para desenvolver empatia infantil. As atividades incluem leitura de histórias com personagens diversos, jogos de troca de papéis, rodas de conversa sobre sentimentos, criação de cartas para colegas, brincadeiras cooperativas, exercícios de escuta ativa e projetos de ajuda comunitária. Cada atividade visa estimular a compreensão emocional e a consideração pelo outro.

Quer saber como ensinar empatia para crianças de forma leve e eficaz? Reuni 7 atividades que uso na mediação de leitura e na biblioteca escolar para cultivar a escuta, o cuidado e a imaginação do outro.

Heitor Vasconcellos
por Heitor VasconcellosEditor de literatura e leitura na escola · 28 de julho de 2026
5 min de leitura
7 atividades para trabalhar empatia com crianças desde cedo

Ensinar empatia não é passar uma lição de moral, é abrir janelas para que a criança enxergue o mundo com os olhos do outro. Na biblioteca escolar e nas rodas de leitura, vejo que as atividades mais eficazes são as que convidam à experiência, não à obrigação. Reuni 7 propostas que coloco em prática com crianças de 4 a 10 anos, todas testadas em sala e com resultados reais na formação de leitores mais sensíveis.

1. Roda de sentimentos com livros ilustrados

Escolha um livro que trate de uma emoção clara, medo, raiva, alegria, e, após a leitura, passe uma caixa com cartões de emoções. Cada criança pega um cartão e conta uma situação em que sentiu aquilo. Não há certo ou errado: o importante é nomear o que sente e ouvir o colega. Livros como "O Monstro das Cores", de Anna Llenas, funcionam bem porque associam cor ao sentimento. Essa atividade tira a abstração e dá concretude à empatia.

2. Troca de papéis no faz de conta

Organize cantos temáticos (consultório, mercado, escola) e proponha que as crianças troquem de papel no meio da brincadeira. Quem era paciente vira médico; quem era vendedor vira cliente. Aos 5 ou 6 anos, a criança já consegue perceber que o outro tem necessidades diferentes das suas. Não precisa de discurso, o jogo simbólico ensina mais que qualquer explicação.

3. Contação de histórias com final alternativo

Conte uma história conhecida (Chapeuzinho, Os Três Porquinhos) e pare antes do desfecho. Pergunte: "O que o lobo sentia? O que ele queria de verdade?" Depois, peça que cada criança invente um final em que os personagens se entendam. Não se trata de apagar o conflito, mas de exercitar a perspectiva do antagonista. Crianças de 7 anos costumam criar soluções surpreendentes quando autorizadas a imaginar o ponto de vista alheio.

4. Desenho colaborativo em dupla

Distribua uma folha grande para cada dupla e peça que desenhem juntos um cenário, um parque, uma festa, a sala de aula. A regra é uma só: não podem combinar antes. Cada um desenha um elemento por vez, e o outro precisa se adaptar. Se um desenha um rio, o outro pode colocar uma ponte. Aos poucos, a criança aprende que ceder espaço ao outro enriquece o resultado final. Funciona especialmente com crianças de 8 a 10 anos, que já têm coordenação para o desenho mas ainda disputam o protagonismo.

5. Dinâmica da escuta ativa

Sente o grupo em círculo e dê um objeto (um chaveiro, uma pedra) para quem vai falar. Só quem está com o objeto pode falar; os outros escutam em silêncio. Cada criança conta algo que aconteceu no dia, bom ou ruim, e o grupo não pode comentar nem julgar. Depois de três rodadas, pergunto: "Foi difícil só escutar?" A maioria responde que sim. Perceber o esforço de calar a própria opinião para ouvir o outro é um passo concreto para a empatia.

6. Leitura de livros com personagens diversos

Inclua na estante obras com protagonistas de diferentes origens, culturas, corpos e famílias. Livros como "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry, ou "Extraordinário", de R.J. Palacio, abrem conversas sobre diferença e acolhimento. Não force a discussão, deixe que as perguntas surjam das crianças. Quando um aluno pergunta "Por que o Augusto não vai à escola?", você tem um gancho genuíno para falar de exclusão e pertencimento.

7. Visita a espaços comunitários

Leve as crianças a uma creche, a um asilo ou a uma horta comunitária. Antes da visita, converse sobre o que esperam encontrar. Depois, peça que desenhem ou escrevam algo que aprenderam com as pessoas que conheceram. O contato real com realidades diferentes, idosos, bebês, pessoas em situação de rua, gera uma empatia que nenhum livro ou jogo substitui. Crianças de 9 anos costumam registrar frases como "Ela gosta de ouvir música igual a mim", descobrindo semelhanças onde só viam diferença.

Na prática, não preciso usar as sete de uma vez. Escolho conforme a faixa etária e o momento da turma. Para crianças menores (4 a 6 anos), priorizo a roda de sentimentos e o faz de conta. Para os maiores (7 a 10 anos), os desenhos colaborativos e as visitas comunitárias rendem mais. O segredo não está na atividade em si, mas na regularidade: empatia se cultiva aos poucos, como a leitura, sem pressa e sem cobrança.

Perguntas frequentes sobre empatia com crianças

Qual a melhor idade para começar a ensinar empatia?

A partir dos 2 anos, a criança já imita expressões faciais e reage ao choro do outro. Atividades estruturadas podem começar aos 4 anos, com jogos simbólicos e leitura de livros ilustrados. Quanto mais cedo, mais natural se torna o hábito de se colocar no lugar do outro.

Como saber se a atividade de empatia está funcionando?

Observe mudanças no comportamento espontâneo: a criança que oferece ajuda a um colega que caiu, que pergunta "você está triste?" ou que divide o lanche sem ser solicitada. Não espere resultados imediatos, a empatia se consolida com o tempo.

Posso trabalhar empatia sem livros?

Sim. Jogos de faz de conta, dinâmicas de escuta e visitas comunitárias não dependem de livros. Mas a leitura amplia o repertório de situações e personagens, o que enriquece a capacidade de a criança imaginar o ponto de vista alheio.

E se a criança não quiser participar da atividade?

Não force. Crianças mais tímidas podem observar nas primeiras rodas. Ofereça um papel secundário, entregar os cartões, virar as páginas, até que se sintam seguras para entrar na dinâmica. A empatia também se aprende vendo.

Atividades de empatia funcionam com crianças com autismo?

Funcionam, desde que adaptadas. Crianças no espectro autista podem se beneficiar de histórias sociais e jogos com regras claras e previsíveis. O desenho colaborativo e a leitura de livros com personagens diversos costumam ser bem recebidos.

Quanto tempo por semana dedicar a essas atividades?

Não precisa de muito. Uma atividade de 20 a 30 minutos por semana já cria um hábito. O importante é a constância, não a duração. Incorporar a escuta e a troca de papéis no cotidiano da sala vale mais que uma aula isolada sobre empatia.

Heitor Vasconcellos

Heitor Vasconcellos

Editor de literatura e leitura na escola

Forma leitor de verdade. Fala de mediação de leitura, biblioteca viva e o livro certo pra cada idade, sem obrigação.

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